Umas sapatilhas que (quase) correm por nós

Miguel Judas

Testei o novo modelo dos míticos Gel Cumulus, da Asics, que pela primeira vez, desde o início da pandemia, me permitiram baixar da rapidíssima marca dos 50 minutos aos 10 km. 

Não é que seja grande coisa, mas se havia algo de que me orgulhava, era a de nunca ter finalizado uma prova de 10 km acima dos 50 minutos.

Também nunca baixei dos 40, devo acrescentar, embora uma vez quase o tenha conseguido, num Grande Prémio de Natal, em Lisboa, em que metade do traçado é a descer. Se não foi nesse dia, nunca mais será!

De qualquer forma, para um tipo cujo único objetivo é beber um par de cervejas no final das provas,  até nem era mau.

Mas eis que chegou a maldita pandemia, acabaram-se as provas e somos todos mandados para casa. Sim, podia-se fazer exercício ao ar livre, é verdade, mas com as cervejas também trancadas do lado de dentro, nem sempre apetecia.

Mesmo assim nunca deixei de correr, aliás, até o passei a fazer de forma mais regular, mas quase sempre distâncias (bem) mais curtas que o habitual no período pré-pandemia.

Serve isto para dizer que, durante meses, contam-se pelos dedos de uma mão as vezes que atingi ou ultrapassei os dez km, até porque em cada uma dessas ocasiões nunca consegui ficar abaixo dos tais 50 minutos. Sim, era frustrante, e já nem a cerveja fresca atenuava a sensação de nunca mais passar dali. Enfim, uma pessoa já não vai para novo e a tendência é para piorar, não para melhorar, por
muito que (finja que) treine com afinco.
 
Mas eis que, já nesta reta final do ano, surgiu a oportunidade de testar a 22ª edição dos Gel Cumulus, da Asics, que como se vê pelo número da atual versão já andam há mais tempo que eu nesta vida das corridas. E mesmo assim nunca nos tínhamos cruzado, vejam lá.

Apresentados pela marca como “a opção ideal para os corredores que procuram um calçado macio
e flexível para todos os dias” (ok, posso rever-me nisso), esta nova geração um dos modelos de maior sucesso da marca japonesa focou-se especialmente “na fixação e no conforto ao redor do pé” (ok, nesta todos os corredores se revêm, não há como falhar).

Além de todo um sem-fim de novas tecnologias – da entressola Flytefoam à sola de borracha resistente com composto Ahar – que nos fazem sentir como se estivéssemos a olhar para um manual de instruções da NASA, quando lemos as suas características técnicas, o que sobressai mesmo, mal se calçam, é a sua maciez e flexibilidade, que desde o início, permitem uma pisada bastante acolchoada,
mas sem nunca deixar de se sentir o solo.

Segundo a marca, isto acontece porque “a zona abaixo do calcanhar, onde o pé se apoia primeiro no chão, foi redesenhada para isolar o impacto, enquanto os sulcos mais profundos do ante pé, o calcanhar e a espuma da entressola ajudam a desfrutar de uma corrida mais suave”. E foi exatamente isto que senti nessa primeira experiência com um Gel Cumulus nos pés, que, por qualquer razão que me
escapa, coincidiu com a tal distância dos 10 km.

Ou melhor, nesse dia decidi experimentar um novo percurso, sem saber a extensão do mesmo e quando dei por ela já ia quase nos dez km em apenas quarenta e tal minutos. Opa, seria naquele dia que
voltava à boa (má) velha forma de sempre? O pior era que o último troço era mesmo, mas mesmo a subir, uma verdadeira rampa, como se costuma dizer. Mas mesmo assim consegui completar os tais dez km abaixo da meta dos 50 minutos. Ok, foram 48m36s, mas isso não interessa nada, até porque o feito já foi repetido mais umas quantas vezes, conseguido inclusivamente baixar para uns impensáveis
47 minutos.

Para o ano ainda volto ao Grande Prémio de Natal, para ver se sempre baixo dos 40, vão ver. Só não sei é se estes Gel Cumulus 22 se aguentam até lá, porque não os vou largar tão depressa…

PVP: 140€.