No labirinto das memórias

No labirinto das memórias

Por Susana Nunes

Os dias primeiros são férteis para elaborar listas, definir objetivos, alinhar os chacras (seja lá isso o que for!). Decidi confirmar essa verdade universal e dar início oficial à minha colaboração (preciosa!) no blog do (meu) gajo.

Já que os meus colegas me humilham com os seus tempos e os seus treinos duros, decidi ser
rápida noutra área – a de (tentar) aliar os livros à corrida, ou vice-versa.
Quer dizer… vai depender da disposição (ou do “mood”, para ser mais “cool”).

Para uma outra crónica ficará a narração da minha incursão no mundo das corridas, e que foram o meu primeiro entusiasmo no mundo dos ritmos e das metas, e dos trails, o meu
atual enamoramento e que me garante sempre uma cerveja no final. Porque este não é um espaço linear, quero hoje, em memória do Professor Eduardo Lourenço, associar os labirintos da minha relação com o desporto a esse grande pensador e ao seu maravilhoso ensaio “O Labirinto da Saudade”, que me acompanhou (e acompanha) nos meus felizes anos de faculdade. Esgotado há muito, consultei-o em fotocópias (sim, também eu pequei!) e continuei a consultar já enquanto docente. Quando o encontrei num alfarrabista, senti a alegria da criança que
descobre o “mistério do mundo”, como diria Alberto Caeiro, mas este “pastor por metáfora” fica para uma das próximas crónicas.

Hoje, ao calçar os meus ténis (ou serão sapatilhas?! Para maisesclarecimentos, consultem a
crónica do gajo), e ao tentar contrariar o apelo de me instalar, qual lagarto, na varanda e aí ficar, pensei nesta afirmação, enquanto o cronómetro não me pressionava a dar início à tortura… quer dizer, ao treino:

“Somos, enfim, quem sempre quisemos ser.”

E eu decidi ser feliz ao correr.

Eduardo Lourenço, O Labirinto da Saudade. Gradiva.
2019