A (não) saudação entre atletas

A (não) saudação entre atletas

O desabafo que se segue nada tem que ver com aqueles cumprimentos cheios de trejeitos e maneirismos entre os machos ou com os abraços carregados de “viste a quantidade de rímel que aquela está a usar?” em que as miúdas se especializaram.

Quando comecei a calcorrear trilhos por esse país fora, umas das coisas que mais estranhei foi o raramente receber um cumprimento ou ser saudado por aqueles que comigo se cruzavam de bicicleta. Comentei isso com quem treinava amiúde nos troços de Monsanto e percebi que era habitual e não uma consequência do receio que a minha cara de sofrimento extremo transmitia. “Mas entre os corredores não, todos se cumprimentam!” (foi-me logo dito com orgulho a que só faltou um bater de mão no peito).

Pois que não é assim, meu caro. Fruto de muitos anos de árdua investigação e km percorridos de Norte a Sul, o tempo foi-se encarregando de me demonstrar que cada vez menos gente que não se conhece se saúda durante um treino ou prova.

A timidez ou o cheiro a suor, o irritamento por o outro correr tanto ou a impaciência pelo lento passo de quem nos precede, o dia ter sido duro ou a cerveja não se encontrar em promoção, não justificam a falta de um simples aceno de cabeça entre quem calcorreia o mesmo piso.

E que bem sabe essa simpatia, seja em forma de um simples aceno ou de um “bom dia”, seja o desejo de um bom treino ou o simples “força”!

Deixem-se de merdas e saúdem-se! Não é assim tão difícil! Afinal de contas, fazemos todos parte de um grupo gigantesco (sim, obviamente refiro-me aos que andam sempre à procura das melhores promoções em calçado de corrida).

(se não sabem o que significa, vejam o Star Trek)